Considerando-se que é a mais nova e também uma das mais curtas, além de ter uma quantidade menor de trens e estações, consequentemente transportando menos pessoas, pode-se dizer que a Linha 4-Amarela do Metrô de SP, do trajeto que vai da Luz ao Butantã, possui o demérito de, historicamente, ter um número de panes proporcionalmente mais significativo, ainda que seja operada por uma empresa concessionária. Todavia, todas as outras linhas, que são operadas por empresa estatal, também estão deixando muito a desejar. Com isso, mesmo com a possibilidade de concessão à iniciativa privada de mais duas linhas, nada fica garantido quanto a cessarem esses problemas de interrupção de um serviço tão essencial quanto.

 

Segundo os dados que, graças à Lei de Acesso à Informação, foram então colhidos e logo divulgados pelo site da UOL, em uma grande matéria a respeito, desde 2012, e considerando todo o sistema, foram ao todo 446 falhas. Em números exatos, listando por ordem decrescente, as linhas que sofreram mais panes nesse intervalo de 4 anos, temos então, respectivamente, Linha 3-Vermelha, do trajeto Corinthians / Itaquera-Palmeiras / Barra Funda, com 135 panes; Linha 1-Azul, do trajeto que vai de Jabaquara até Tucuruvi, com 118 panes; Linha 2-Verde, do trajeto que sai da Vila Madalena até a Vila Prudente, com 91 panes; Linha 4-Amarela, do trajeto que vai da Luz ao Butantã, com 82 panes; e, por fim, Linha 5-Lilás, cujo o trajeto vai do Capão Redondo até Adolfo Pinheiro.

 

Esses resultados citados são da soma referente ao intervalo de tempo entre 2012 e 2016, portanto, não contemplam ainda a questão mais crucial, de que estão aumentando ao invés de diminuírem, em quase todas as linhas. Pois que as panes tidas como sérias, considerando-se apenas as linhas estatais do Metrô, também intituladas de “ocorrências notáveis”, passaram de 71 para 73, de 2013 para 2014; continuando, de 2014 para 2015, subiram para 76; e só entre janeiro e outubro ano passado já chegavam a 78 panes. Esses aumentos, segundo a administração do próprio Metrô, deveram-se às “falhas em trens”.

 

Sobre toda essa questão, o diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Alex Santana, utiliza-se dos já citados dados para alegar que a “privatização não resolve os problemas”, pois segundo ele, a administração da Linha 4 pela ViaQuatro, realizada por concessão, primeiramente “busca o lucro”, e por consequência, deixaria a qualidade no atendimento da população como algo secundário. Ele completa ainda que, por conta dessa ambição, a referida linha possui também menos funcionários, inclusive na manutenção, comprometendo-a assim a longo prazo.

 

Essa é uma questão de ponto de vista, obviamente, tratando-se de aprovar ou não a intenção do governo paulista de conceder mais duas linhas do metrô à iniciativa privada. No entanto, quanto à questão técnica, o engenheiro Celso Franco, especialista em transportes, diz que “não é normal aumentarem as falhas, embora variações sejam normais”. Complementando ainda que uma parte dos trens está sendo reformada e readequada ao sistema, que, por sua vez, também está passando por modificações.